Pirambu Digital: tecnologia e cidadania juntas

Estive em Fortaleza durante a semana do dia 5/11 para a apresentação do Plano Diretor de Tecnologia da Informação da prefeitura municipal. Após o evento, a convite de Cristiano Therrien, da Prefeitura de Fortaleza, fomos visitar a Cooperativa Pirambu Digital, uma das mais interessantes iniciativas de inclusão digital e desenvolvimento local que eu já conheci.

Pelo projeto do Plano Diretor, estávamos eu, o Carlos Eurico do Canto e o José Augusto Porto, além do Vicente Aguiar, da cooperativa baiana Colivre, nosso palestrante convidado, e o prof. Antonio Nóbrega Filho, da Assembléia Legislativa do Ceará. Ainda tivemos a grata satisfação de sermos recebidos pelo Bruno Queiroz, diretor comercial da cooperativa, e pelo prof. Mauro Oliveira, um dos idealizadores do projeto.




Prof. Mauro Oliveira apresenta a Biblioteca Integrada à Lan House (BILA).

Para quem não é de Fortaleza, o nome do projeto vem do local onde ele está localizado, o bairro de Pirambu. Segundo o site do Ministério do Planejamento, o bairro Pirambu existe há 44 anos e é o mais populoso de Fortaleza, com 47 mil habitantes. No entanto, outras estatísticas apontam que o número é muito maior, talvez pela abrangência daquilo que chamam Grande Pirambu, um conjunto de bairros populares que se criou em terras pertencentes à União.

Há dois anos, nasceu uma nova alternativa de trabalho e renda para os jovens do bairro. A Cooperativa Pirambu Digital teve origem num projeto de formação de jovens em tecnologia da informação do CEFET-CE. Finalizado o curso e sem uma perspectiva direta a não ser entrar no concorrido mercado de trabalho, o prof. Mauro Oliveira sugeriu aos jovens o desafio de que utilizassem o conhecimento adquirido para estimular o desenvolvimento local. Assim, 52 jovens se juntaram e formaram a Cooperativa Pirambu Digital, que desenvolve projetos voltados para a área de tecnologia além de projetos de inclusão sócio-digital para a população do bairro. Para dar início ao projeto, além do CEFET, o grupo contou com a ajuda do Movimento Emaús Amor e Justiça, que cedeu o local onde a cooperativa foi instalada.

A cooperativa possui várias frentes de negócios: o Pólo de Desenvolvimento de Softwares (Podes), que produz softwares e sites; a unidade de Treinamento e Eventos (Trevo), que dá treinamentos e suporte em informática; a Fábrica de Computadores com Inteligência Local (Fácil), que atua com consultoria em hardware e redes e a unidade de Negócios e Administração (Nega) que gerencia a parte administrativa e financeira da cooperativa.



Em três tempos, Bruno Queiroz explica a estrutura do projeto.

Esses projetos dão sustentabilidade para que a cooperativa ofereça serviços de inclusão à comunidade. No leque de serviços, encontramos o ensino de inglês e empreendedorismo, a preparação para o vestibular, o reforço escolar para crianças, as atividades de canto e dança, o suporte técnico em informática e o acesso à Internet gratuito. No vídeo que gravei, é apresentado um desses projetos: a BILA (Biblioteca Integrada à Lan House), onde as crianças do bairro têm acesso à Web depois de exercitarem a leitura e receberem noções de língua portuguesa. Detalhe peculiar: a BILA funciona totalmente com Linux e Softwares Livres.



BILA: crianças lêem para, depois, terem acesso à Web.

O Pirambu Digital impressiona. Impressiona ainda mais ouvir as palavras do prof. Mauro Oliveira, dizendo que as coisas foram "acontecendo" conforme as oportunidades foram surgindo. Segundo o prof. Mauro, o desafio inicial dos jovens da cooperativa não foi apenas aplicar, na prática, o que havia sido aprendido no curso técnico mas, também, mudar o entorno social do local onde eles vivem. O resultado é que, hoje, o projeto atende indiretamente mais de 6 mil pessoas da comunidade. O sucesso social é acompanhado do sucesso empreendedor: um dos grandes projetos da cooperativa é o SUSFácil, sistema que gerencia o atendimento aos usuários do SUS no estado de Minas Gerais. Com isso, o reconhecimento do projeto tem sido cada vez maior. O Pirambu Digital ganhou o primeiro lugar no prêmio A Rede de Inclusão Digital, na categoria terceiro setor e foi selecionado como finalista para o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2007.

Por fim, nossa visita foi complementada por um interessante bate-papo sobre inclusão digital, desenvolvimento local, economia solidária e software livre. O tempo foi curto para uma troca de experiências tão rica, envolvendo assuntos que estão na pauta da tecnologia e da colaboração atualmente. Em resumo, a minha conclusão pessoal é que projetos como o Pirambu Digital são exemplos de como é possível mudar uma realidade local de forma autônoma e empreendedora. Isso tem tudo a ver com a liberdade que defendemos no Software Livre e com o atual cenário tecnológico.

Para conhecer o Pirambu Digital, visite: www.pirambudigital.com.



Aula do curso pré-vestibular: alunos pagam as aulas com serviços à comunidade.



Confraternização no Pirambu Digital.



Bate-papo: inclusão digital, desenvolvimento local, economia solidária e software livre.

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